Estive acompanhando o resgate de animais do Instituto Royal.
Segui também alguns comentários em sites de notícias e é impossível não se inconformar com as
propostas de ambos os lados.
1- Ao questionarem o resultado das ações dos ativistas,
perguntam-lhes como então testar medicamentos e cosméticos? Ignoremos a superficialidade do segundo objeto e vamos nos ater ao primeiro. Ninguém quer impedir a pesquisa de medicamentos. Animais são beneficiados por pesquisas na área de medicamentos veterinários também. O que se quer é premência na busca e no uso de
métodos que não se valham de animais. De testes in vitro e testes com larvas de camarões a testes eficientes com tecido humano, de restos
de cirurgias, parece haver inúmeras possibilidades que poupam os animais. Encontrei esta publicação da FioCruz e achei-a, no mínimo, uma luva
para os debates que devem surgir dos eventos destes últimos dias.
2- Os lados sugerem que defensores dos animais ou dos testes se
ofereçam, ou a seus filhos, como cobaias. Reforça-se a falta de diálogo e sugere-se , por exemplo, que os ativistas
nunca mais usem medicamentos ou cosméticos. Como se ao reclamar do trânsito, um cidadão deixasse de usar o carro e passasse a andar a pé. É justamente porque o trânsito nos incomoda que vamos exigir melhorias no transporte público. Novamente, não se trata simplesmente de deixar de usar um medicamento ou cosmético, de apoiar esse Instituto ou outro, mas de forçar a indústria a buscar opções, de forçar
a ciência a utilizar métodos alternativos. Segundo
alguns médicos é uma falácia a utilização de animais, porque nada garante que
os testes funcionarão com humanos. Para o Dr. Ray Creek, que não se vale de
avaliações morais ou éticas para as pesquisas, testar medicamentos em animais não só é
perda de tempo, mas também prejudica seriamente os seres humanos. O médico afirma que métodos
alternativos já existentes são os mais eficazes, mas diz que os testes em animais continuam porque a maior parte dos incentivos financeiros para a ciência
são destinados a esses testes, verdadeiros “cara ou
coroa” de eficiência, nas palavras do próprio entrevistado em matéria da Veja. Discutir os testes pode ser, portanto, mais benéfico do que se imagina.
3- Ao assistir a diferentes noticiários sobre os eventos, a
manipulação dos fatos salta aos olhos. Parte da mídia (A Rede Globo, é uma) não entrevistou ativistas, não fez lição de casa e não ouviu o outro
lado da briga. Por sua vez, quem critica o vandalismo está coberto de razão, mas também já
sabe que os vândalos não representam quem realmente está se manifestando a favor de causas reais desde
junho passado.
4- Por fim, fechar esse instituto não resolverá o problema. Promover ofensas e quebra-quebra muito menos. Munir-se de argumentos é a melhor saída. O negócio é exigir por meios legais (e eles existem, assim como as provas e reuni-las é essencial) a investigação de todos os fatos e pressionar sem descanso por mudanças na lei.
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