terça-feira, 17 de setembro de 2013

"Maninfestação" contra o sabiá.

Infestação de seres humanos ameaça canto de pássaro.

Algumas pessoas realmente surpreendem. Querem ar puro e fresco, reclamam da poluição, mas convivem todos os dias com milhares de veículos, fábricas, lixões. Os que podem optam por bairros mais arborizados, quem sabe até com um parque verde em suas redondezas. Poucos, entretanto, conseguem se livrar das britadeiras (estou ouvindo uma agora mesmo e não posso pedir que parem, porque o progresso é de todos), das buzinas, das sirenes, dos fogos de artifício em época de festas e jogos de futebol, de aviões e helicópteros, caminhões coletores de caçamba, alarmes de carros, de motoristas e vizinhos que colocam suas ladainhas mecanizadas a todo som, etc. Mas vão se acostumando, afinal, tudo é progresso em sociedade. 
Porém, quando no meio da madrugada, o som natural de um pássaro cantor cruza os ares, o homem maninfesta sua ira contra a beleza desse acontecimento porque seus ouvidos não sabem mais reconhecer o canto e o confundem com barulho. Daqui a pouco seus olhos não reconhecerão mais árvores e flores, e talvez nos vejamos substituindo as folhas, que sujam nossas calçadas de cimento, por aquelas insípidas plantas plastificadas. Então pode que sejamos felizes, almas de plástico em que nos tornamos.

Imagem: tvselvagem.blogspot.com 

Como disse Rubem Alves, " Em terra de urubu diplomado não se ouve canto de sabiá".

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